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ANUNCIAR A MUDANÇA DENUNCIAR MARILYN MANSON

De vez em quando cai uma estrela… e por vezes existem homens que se tornaram “Estrelas” por um publico que também perdeu o discernimento para avaliar a sua sanidade, o que pode ser perigoso e pode levar a pensar que são espelhos uns de outros ou em ultima análise que o público venera o personagem, mas não acredita que ele exista fora dos palcos.
Esta última hipótese seria a justificação do fenómeno, Marilyn Manson ser uma estrela empoderada pelas massas, alguém que aos olhos de um comum mortal tem uma postura “Psico”e doente, mas que ninguém parece ver isso com seriedade porque na realidade acham que é tudo uma encenação. Suporto esta minha crença porque há 16 anos faço a produção de um Personagem que apenas existe no palco e o público trata-o como se ele fosse real e isso é divertido. Deixo assim o benefício da duvida de que o público de Manson olha para ele como um Rouxinol Faduncho. Caso contrário teríamos muita gente descompensada!

Quero acreditar que se o público tivesse a noção do monstro que estaria a criar, nunca o teria aplaudido nem venerado como venerou, ou pelo menos não teriam sido tantos a venerar. Teria ficado por pequenos clubes e nichos de mercado naturalmente PSICO.

Por outro lado também não posso ignorar aquilo a que tenho assistido no público a nível nacional quando se dá palco e destaque a pessoas pelo ridículo que são. De repente dá-se voz a alguém que nunca a deveria ter e isso é de uma enorme irresponsabilidade social e cultural. Ainda bem que neste nosso canto a dimensão é bem menor, senão teríamos tido a Maria Leal a tornar-se numa diva sabe deus como…

Bem voltando ao Sr. Marilyn Mansom, Estamos a assistir à queda de um dos mais rentáveis artistas internacionais, que factura entre os 300 mil e 400 mil euros por concerto e que de um momento para o outro é abandonado por todos os que o rodeavam e sabiam da sua história, mas que não o largavam porque ele era rentável e porque não se acham responsáveis por o Monstro que criaram… E aqui entra toda uma indústria que validou todas as suas acções, que ganhou dinheiro com o Monstro, que encheram as suas contas à conta do monstro… Nesta perspectiva SÃO todos responsáveis…

A Fama é perigosa, pois nem todos sabem lidar com ela, um presente muitas vezes envenenado, porque dá exposição e dá VOZ aos que muitas vezes não tem nada mais a acrescentar ao seu talento, e quem tem VOZ tem poder! E depois dá dinheiro e dinheiro é poder … e trabalhar com famosos oferece curriculum e estatuto profissional, (mais poder para o artista), e em prol do interesse individual e empresarial, editores, agentes, managers, road managers, assistentes de produção, aceitam a VOZ e as directivas e subscrevem a arrogância e prepotência de artistas e confirmam-lhes um poder maior, confirmado por ele , por ter plateias de milhares de pessoas a gritar por si … na prática todos ficam embriagados por este mundo de exposição, aprovação e excesso de tudo… todos querem fazer parte, ser amigos do artista, ganhar através dele, mesmo reconhecendo a falta de escrúpulos e as alterações comportamentais provocada pelo sucesso …todo os que lidam com eles conhecem-lhes bem os podres … e isso foi confirmado por todos aqueles que vieram a publico dar força às denuncias contra Marilyn Manson… Afinal que raio de responsabilidade tem pelos outros? Pelo que vemos fazer aos outros? Por se artista pode violar, abusar, tratar mal? Se chamo a atenção a qualquer sujeito que vejo tratar mal outros, porque não chamo a um Famoso? Foi bom que tivesse sido denunciado mas… A Mudança não se faz apenas quando o Monstro está a cair… A mudança faz-se quando se está a construir o Monstro…

E esta é a grande aprendizagem que temos de tirar daqui… O sucesso é criado por todo o sistema: Publico e Profissionais devem ser mais responsáveis por aqueles que veneram…

Uma vez numa negociação de cachets, os responsáveis estavam indignados com o que os artistas estavam a pedir… Sempre me faltaram alguns filtros e aos senhores directores passei a batata quente dizendo” são os senhores que estão a criar as bestas, não sei do que se queixam”

Em Portugal a escala é diferente, mas à nossa escala também assistimos a estes empoderamentos e para aqueles que como eu já cá andam às umas dezenas de anos, é comum assistir a algumas quedas e ao apagar da luz das “Estrelas” que no seu auge, também foram mesquinhos e arrogantes…

O meu pai era certeiro, em jovem adorava o Parque Mayer, onde se cruzava com muitos artistas. Quando comecei no meio artístico não posso esquecer a frase que me aconselhou a não esquecer” Os artistas tem pés de barro” se vais tomar conta deles não os deixes molhar os pés!

E assim fiz com enorme amor. Nem nunca os deixei molhar os pés, nem que pisassem os meus. E escolhi, posso me dar ao luxo de o dizer, escolhi apenas trabalhar com homens e mulheres equilibrados, criando equipas justas, unidas e onde a expressão de cada um é respeitada, onde todos podemos falar do que sentimos, acrescentar ideias onde puxamos uns pelos outros e o artista apenas existe em cima do palco, porque fora dele somos todos farinha do mesmo saco.

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